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Movimento Negro comemora aprovação do projeto de cotas

PL que reserva 20% das vagas em concursos públicos para negros foi aprovado por unanimidade na Câmara

17 SET 2020 - 22h:00 Por Carolina Rocha - de Suzano
Movimento Negro e a Educafro acompanharam a sessão da última quarta Movimento Negro e a Educafro acompanharam a sessão da última quarta / Divulgação
O movimento negro de Suzano comemorou a aprovação por unanimidade na Câmara Municipal do projeto de lei 61/2019, que visa a reserva de 20% das vagas em concursos públicos do município para negros. 
 
A votação, que ocorreu na última quarta-feira (16), contou com a presença de coletivos, como a Associação Educação Para Afrodescendentes e Pobres (Educafro) e de membros do movimento negro. O projeto segue agora para a sanção do prefeito, Rodrigo Ashiuchi (PL).
 
Para o coordenador da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro), Edson Pereira Reis, o Edinho, a aprovação foi uma conquista importante para a luta por igualdade racial e traz esperança para a inclusão de negros nos cargos públicos.
 
"Essa é uma conquista muito importante para a nossa luta. Unimos quatro movimentos e conseguimos implantar essa lei que aqui na região só existia em Poá. Esse projeto vai ajudar a reparar o racismo histórico e estrutural", explica Edinho.
 
Ainda segundo o coordenador da Unegro, o debate e as discussões acerca do tema tiveram efeito educativo e mostraram a importância e a relevância de se tratar sobre questões raciais na sociedade.
 
"Com a organização que foi feita, o movimento conseguiu mostrar e fazer com que não só os vereadores, mas a sociedade visse a importância de compreender a nossa luta. Refletindo sobre esse projeto de lei isso foi possível", esclarece.
 
Para Cosme Nascimento, presidente do movimento Negro Sim, a aprovação do projeto é histórico para Suzano e para o Alto Tietê. 
 
“Suzano é a segunda cidade da região a aprovar o projeto de cotas. A nossa expectativa para o ano que vem é de epandir ainda mais essa política pública, levando essa discussão para Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos e Guarulhos”, explica. No entanto, a luta do movimento negro não deve parar por aí. Segundo a professora Inês da Silveira, coordenadora do Coletivo Antirracismo Milton Santos do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e uma das fundadoras do Coletivo Negro Sim, outros projetos e reivindicações serão pautadas em breve frente ao poder público.
 
"A aprovação do projeto é importante para que nossas demandas sejam atendidas, na saúde, educação e emprego. Agora precisamos colocar em prática novamente o Conselho de Igualdade Racial e criar a Secretaria de Combate ao Racismo, para poder tratar mais a fundo as questões raciais aqui no município", finaliza.

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