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Movimento negro é a favor à lei de cotas para concursos

Proposta, realizada pelo vereador Antonio Rafael Morgado, o Toninho Morgado, é considerada uma "vitória" para o movimento

2 DEZ 2019 - 14h:00 Por Daniel Marques - de Suzano
Movimento negro é a favor à lei de cotas para concursos Movimento negro é a favor à lei de cotas para concursos / Regiane Bento/Divulgação
Integrantes do movimento negro de Suzano se mostram favoráveis ao projeto de lei que tem como objetivo reservar 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos no Executivo e Legislativo da cidade.
 
A proposta, realizada pelo vereador Antonio Rafael Morgado, o Toninho Morgado, é considerada uma "vitória" para o movimento e, caso se torne lei, será vista como um direito para a população suzanense que se autodeclara negra ou parda.
 
"O movimento negro propôs ao vereador, para que entrasse com esse pedido. Hoje a gente vê poucos negros ocupando cargos municipais. Pleiteamos esse pedido para que sejam feitas cotas nos concursos públicos na cidade", conta a professora Inês da Silveira, que integra o coletivo Anti-Racismo Milton Santos - Apeoesp (subsede de Suzano).
 
Ela diz que a história aponta Suzano como uma "cidade dos coronéis" e fala que "o império não saiu ainda" da cidade, se referindo à predominância de brancos no poder. A professora aponta a falta de oportunidades para negros no município suzanense. "É muito difícil ver um negro arrumando emprego aqui. Muitos vão para cidade de São Paulo. É só olhar para o transporte público em horário de pico. Essa cota é importante para a ascensão dos negros em Suzano", disse a professora.
 
"A ideia é conseguir uma forma de reparação desses 500 anos da abolição. É reparar um dano histórico para negros e negras na sociedade", diz Cosme Nascimento, presidente do movimento Negro Sim.
 
Edson Pereira Reis, o Edinho, é representante da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro). Ele destacou a importância do projeto e citou a falta de espaço do Poder Público para o surgimento de negros de referência na cidade.
 
"É uma luta que temos e defendemos no Estatuto da Igualdade Racial. É difícil ver negro na TV, ocupando cargos no Poder Público, na área de educação e saúde. Nesse momento se faz necessário, até conseguirmos igualdade e termos negros de referência", disse.
 
As cotas serão "de suma importância", segundo a professora Lucilene Candido Rocha, que pertence ao movimento Negro Sim e faz mestrado no Instituto Federal de São Paulo por meio de cota. 
 
No entanto, ela diz que mesmo assim, as pessoas que se inscreverem dessa forma "terão que estudar"."Cota não significa que a vaga está garantida. O negro vai ter que fazer provas como todos os outros. É importante dar oportunidade ao negro, para que ele possa mostrar a que veio", disse a educadora.
 
"Parabenizamos o vereador e torcemos para que a região amplie este número", espera Enilda Lúcia Suzart Rodrigues, professora de história e geografia e voluntária na Associação Educação Para Afrodescendentes e Pobres (Educafro).

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