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Eduardo Caldas

Abstenção nas Eleições Municipais

11 NOV 2020 - 05h:00
As eleições estão chegando em clima absolutamente adverso e muito diferente do padrão. O primeiro turno foi adiado em decorrência da crise sanitária mundial e as campanhas correm em ritmo diverso das anteriores e com uso mais intenso das redes sociais. Além disso, as regras eleitorais para este ano impossibilitaram as coligações proporcionais (para vereador).
Como esses fatores podem incidir sobre a disposição do eleitor em ir às urnas?
Para evitar grandes especulações, vale a pena antes de tentar qualquer resposta ainda que provisória, olhar para o histórico das eleições. A Fundação SEADE tem uma série histórica organizada de forma muito amigável e que permite muitas análises.
Desde o ano 2000 o número de eleitores em Suzano cresce, passando de aproximadamente 134 mil eleitores em 2000 para 160 mil em 2004; 177 mil em 2008; 195 mil em 2012; e finalmente 211 mil em 2016. Assim, entre 2000 e 2016, o número de eleitores em Suzano cresceu aproximadamente 60%.
As abstenções, por sua vez, cresceram mais que proporcionalmente ao número de eleitores: em 2000 foram 17 mil; em 2004, 22 mil; 2008, 24 mil; 2012, 30 mil e finalmente em 2016 como foram dois turnos e portanto duas eleições, 39 mil e 49 mil abstenções.
Em 2000, para cada 8 eleitores um se abstinha; em 2016, no segundo turno, esse número foi de uma abstenção para cada 4 eleitores. Ou seja, o interesse em se deslocar até a urna foi diminuindo ao longo do tempo.
Nas últimas eleições, ou seja, 1º e 2º turnos de 2016, não bastassem as abstenções que chegaram, respectivamente a 30% e 24% dos eleitores; os votos nulos e em branco também foram altos: 32 mil e 23 mil, respectivamente. Então no primeiro turno de 2016, dos 211 mil eleitores inscritos, retirados 39 mil de abstenções e 32 mil de votos brancos e nulos, votaram em algum dos sete candidatos apensas 140 mil eleitores, ou seja, 65% do total. No 2° turno houve redução das abstenções e aumento dos votos brancos e nulos perfazendo os mesmos 65% de participação. Para vereador, a participação é de 70%.
Então no dia mágico da eleição, o eleitor tem que tomar uma série de decisões:
1. A primeira é escolher entre o comparecimento e a abstenção. Diante da pandemia pode ser que o comparecimento diminua ainda mais;
2. A segunda é entre votar branco e nulo por um lado e escolher um dos candidatos para vereador por outro. Neste caso, historicamente, o eleitor que resolve votar acabe escolhendo um candidato ou uma legenda;
3. A terceira é escolher entre votar branco e nulo ou escolher um candidato a prefeito. Historicamente a tendência é de aumento dos votos brancos e nulos.
Ao comentar esses números com um colega, ele me disse: não faltam motivos para tanta abstenção. Não há vida partidária; não há emergência de lideranças com mensagens novas e críveis; não há expectativa de melhoria das condições de vida.
Se tudo isso for verdade, talvez seja interessante uma reflexão sobre a construção e o fortalecimento de espaços democráticos para propormos e discutirmos propostas e mensagens ainda que seja um sonho para eleições futuras.