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Larissa Ashiuchi

Seja a voz das mulheres

10 DEZ 2020 - 05h:00
Quando a escrivã de polícia Verônica Torres acordou e se preparou para mais um dia de trabalho, ela não imaginou o rumo macabro que sua vida tomaria naquela manhã. 
Acostumada com sua rotina pacata, Verônica, interpretada pela atriz Tainá Müller, de repente presencia o suicídio de uma vítima de abuso sexual e também recebe uma ligação anônima de outra mulher pedindo socorro. Ela, então, mergulha de cabeça em ambos os casos, pondo o seu trabalho em risco, em busca de justiça.
Baseada no livro de Ilana Casoy e Raphael Montes, a nova série do Netflix “Bom dia, Verônica” conta a realidade de milhares de brasileiras vítimas de violência doméstica. 
Pesada, impactante e extremamente necessária, sobretudo no país que registra um caso de feminicídio a cada 7 horas, a trama nos arranca de nossa zona de conforto, fazendo com que o espectador viva, junto aos personagens, a brutalidade e o medo que coordenam cada episódio. 
A sensação de impotência que a personagem principal nos passa ao solicitar, inúmeras vezes, ajuda ao delegado Carvana e se vê ignorada é intensa e nos faz perguntar até quando nós, mulheres, seremos desacreditadas e tratadas como se nossas vidas fossem descartáveis. 
Assim, o seriado vem com uma função social avassaladora e reflexões sobre as falhas da sociedade para com os crimes domésticos. Mostra também é importante o papel da Verônica como símbolo de luta e de representatividade, dando voz e vez às mulheres. 
"Bom Dia, Verônica" traz diversos gatilhos por meio de atuações impecáveis. As cenas são perturbadoras e mexem com nosso psicológico; entretanto, o mais assustador é entender que elas estão longe de serem ficção. Estamos cercados por Janetes (vítimas de violência) e por Brandões (maridos abusivos).
Quem conseguir reservar uma hora de seu dia para assistir um episódio da série, garanto que não irá se arrepender e, provavelmente, sentirá a necessidade de “maratonar” os oitos episódios disponíveis. Mas, reforço, ela não é uma série para todos os tipos de audiência. Logo, se você já foi vítima de violência doméstica ou conhece alguém, peço que tenha ciência dos temas apresentados antes de decidir se irá assistir ou não. 
Às mulheres que ainda sofrem com esse tipo de abuso, sua voz merece e deve ser ouvida. 
Ligue 180 para a Central de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência e 190 em casos de perigo e violência no momento. 
Em Suzano, contamos com a Delegacia de Defesa da Mulher, o Programa Patrulha Maria da Penha, o Conselho dos Direitos das Mulheres, as Promotoras Legais Populares e tantos outros serviços. Conte comigo, conte conosco! Você nunca está sozinha!