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Lorena Burger

Dificuldades que aumentam

6 ABR 2021 - 05h:00
Queremos mudar o foco, mas está cada dia mais difícil...
As entidades e organizações que auxiliam as pessoas que passam dificuldades e que há anos fazem o trabalho de arrecadação e distribuição de alimentos recebiam os alimentos, montavam as cestas básicas e as distribuíam, buscando pelo menos dar um pouco de conforto, garantindo o feijão com arroz para muitos.
Hoje no auge da pandemia, com o crescente número de mortes em todas as partes do Brasil, essas mesmas entidades viram baixar seus estoques e apesar do aumento de bocas para serem alimentadas, seus estoques estão decrescendo, e na maioria das vezes não abastece todos os lares onde famílias esperam por essa ajuda.
Sabemos que todos passam dificuldades financeiras, que a pandemia que nos obriga ficar recolhidos em casa, diminui nossa possibilidade de nos manter com conforto e dessa forma, torna muito mais difícil colaborar com outras pessoas, que não só buscam auxilio em entidades, mas, comparece também em nossos portões, pedindo que ajudemos com qualquer coisa e, muitas vezes o que temos é insuficiente para nossa família...
A inflação crescente fez aumentar nossos gastos nos supermercados, com o gás e outros bens necessários em nossas casas, além de ser época de pagarmos os impostos que também oneram nossos bolsos e, mesmo quem ainda mantém renda mensal fixa se vê em dificuldade.
Só clamando pelo auxílio e amparo Divino para suportar a situação que todos enfrentam.
Além disso, o número de mortes ganhou velocidade e hoje o que eram meros números, que nos pareciam distante, que desconhecíamos as pessoas, somente sabíamos quantos haviam perdido a vida para esse vírus parecia não nos dizer respeito, entretanto, no momento atual esses números ganharam nomes e fisionomias conhecidas e diariamente temos que conviver com a perda de alguém que nos é caro...
Não são mais só os idosos, aqueles que por conta de outras doenças não suportavam o ataque do Corona e perdiam a luta e a vida... Agora amigos jovens que víamos saindo nos finais de semana para os encontros com colegas, animados e felizes, artistas que nos pareciam saudáveis e inatingíveis estão internados, intubados e muitas vezes não suportam as internações e acabam morrendo e finalizando suas caminhadas de maneira sumária, com caixões lacrados, sem cerimonias fúnebres e, com sepultamentos rápidos.
Colegas de profissão, amigos que nos são queridos, de perto e de longe, que víamos com frequência ou não, passaram a fazer parte do obituário diário, que nos entristece em vários momentos ao dia, pois, às vezes essas notícias nos chegam com frequência nas diversas horas do dia.
Temos amigos internados e intubados há tantos dias que quase não nos lembramos de suas feições, que se faz necessário a família colocar fotos para que se reacenda em nossa lembrança a imagem de seus sorrisos, criamos grupos de orações para que possamos vibrar por eles em todos os momentos do dia.
No final de uma semana contabilizamos tantas perdas efetivas de amigos, conhecidos e artistas que nosso coração bate doloridamente, mas, apesar desses amargores ainda encontramos forças para clamar ao Pai que não nos abandone e cuide de seu rebanho com carinho e nos livre desse mal que dizima a população deste sofrido planeta...