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Padre Carmine

A vida do povo negro no Brasil

19 NOV 2021 - 05h:00

No dia 20 de novembro o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra e não posso deixar de homenagear os negros e os afro-brasileiros da Região do Alto Tietê e do Brasil.
Sabemos que o Brasil foi o último país do mundo a abolir oficialmente a escravidão. Por isso, não é de se estranhar que suas consequências ainda se façam sentir, pelo peso dos preconceitos contra a população negra, por discriminações que ainda permanecem, pelo racismo disfarçado, por situações de inferioridade social introduzidas na estrutura da sociedade brasileira e que só desaparecerão se for levado adiante um projeto de maior justiça social.
O povo negro, o povo da África, foi o que mais se viu condenado a perder a própria liberdade dentro e fora do seu continente. Muitos negros, porém, destacaram-se ao longo da história, pois souberam passar a mensagem de uma sociedade livre, sem escravidão, sem discriminação e sem racismo. Ninguém mais, nem lá nem aqui, pode se envergonhar de ser negro ou afro-brasileiro. Direito, justiça, salário, arte, cultura, religião, ética e profissionalismo, estão juntos para o caminho que se abre na construção e realização de um mundo novo.
Em cada família africana e afro-brasileira, nascida da escravidão, há páginas de história que comovem, trazendo à luz sonhos teimosos de vida e liberdade.
Há famílias afro-brasileiras na Região do Alto Tietê que são um exemplo de gente que chegou a derrubar cercas e muros, lutando pela esperança de um futuro novo.
Poderia citar tantas dessas famílias, cujos filhos viram a fome, a miséria e a dor se acabarem e as coisas se mudarem em dias novos e bonitos.
Meus queridos amigos afro brasileiros, irmãos e Padres negros, vocês bem poderiam falar da luta e do sacrifício de seus pais, avós, tataravós e de seus antepassados. Miséria e humilhação, repressão e discriminação são coisas de outrora. A luta permitiu que novos horizontes se abrissem para muitas famílias de origem africana. 
Nos lares destas famílias brotaram lindos rebentos, hoje profissionais e padres que com seu trabalho honram o cenário internacional. 
A sociedade vê nos negros o exemplo de homens e mulheres que lutaram e lutam pelos mais altos ideais de justiça, igualdade e liberdade. 
Eles são filhos desta terra e receberam do solo africano e brasileiro quentura e calor, destreza e agilidade, inspiração e criatividade nas danças e roupas.
No entanto, ainda hoje nos agridem más notícias de jovens negros ameaçados, perseguidos e revoltados. Por que acontece isso? É porque numa cultura e sociedade racistas é pouco considerada a inocência e a dignidade dos negros e dos pobres. 
Sempre se suspeita serem eles os autores do crime ou da infração. São presos e muitas vezes assassinados sem nenhuma apuração dos fatos. Que todos os negros e afro-brasileiros nunca deixem de acreditar no reconhecimento de seus direitos e cantar canções de paz, para que o mundo se torne mais humano e fraterno.