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Padre Carmine

O Brasil um País multicultural

26 NOV 2021 - 05h:00

No Brasil e nos demais países, é necessário valorizar e resgatar as culturas jogadas, pela sociedade consumista ou pelo poderio da tecnologia, no subsolo cultural. As culturas devem ser recuperadas porque são o patrimônio dos povos que genialmente as criaram. Arte, música, canto, drama, dança, literatura, contato com a natureza, constituem o perfil cultural de muitos povos.
Quando, porém, começou o afrontamento entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos tornou-se inviável a vida das culturas simples e humildes, pois tiveram de dar lugar ao forte desenvolvimento da tecnologia, da produção, do lucro e do capital. Por isso, nem todas as culturas conseguiram entrar e permanecer na área luminosa do desenvolvimento.
A expansão da cultura ocidental mediante o colonialismo, as guerras e as conquistas, relegou a níveis insignificantes a cultura dos povos subdesenvolvidos. Ao tempo da chegada dos portugueses ao Brasil, o país tinha perfil indígena. Com a ocupação europeia e a vinda dos africanos, o povo não soube criar um novo e multiforme complexo cultural. Houve apenas a dominação da cultura dos brancos, com um processo civilizatório, ambíguo, discriminatório e inadequado à vida dos índios e negros. Hoje tenta-se resgatar a cultura popular, mas um outro inimigo apresenta-se: é a sociedade de consumo, que tem o poder mágico de reduzir tudo ao valor do objeto e do produto: pessoas, ideais e tradições.
A sociedade de consumo é a grande responsável pelas frustrações que alimentam os anseios populares, expressos na violência que apavora os grandes centros urbanos. A cultura consumista avança e não encontrando sinais vivos de cultura, nos centros e nas periferias, dirige-se à população somente com produtos de mercado e comércio. Explora a mão-de-obra que é abundante e logo em seguida restitui produtos novos impondo-lhes novos padrões de consumo.
Se não criarmos uma mentalidade cultural digna do ser humano, capaz de se sobrepor à mentalidade consumista, a diferença entre desenvolvidos e subdesenvolvidos, entre ricos e pobres será maior. Não estamos caminhando para uma conscientização altamente cultural. Basta observar como o povo gosta das vitrines da cidade, todos são aliciados pela permanente solicitação de elevar seus padrões de consumo. Os pobres estão opinando pelo consumismo e não pela cultura.
O contato com a terra, a planta, a alface, a verdura que o pobre poderia ter para colher frutos e alimentos vem sendo substituído pelas compras nos supermercados, que torna o povo dependente de produtos industrializados e enlatados que nem sempre beneficiam a saúde. Tal costume dispensa-o do cultivo de uma pequena horta ou do uso de uma enxada para trabalhar a terra e o torna um consumidor de supermercados. Ao mesmo tempo o cidadão deve saber valorizar a leitura, mas quase sempre é interceptado pelos comerciais ou pelas novelas nas tevês, sendo canalizado para assistir a roteiros supérfluos. Consumir é a lei imposta pelo mercado, mas os cidadãos não podem cair nesta armadilha que não permite alcançar um futuro melhor