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Padre Carmine

O interesse dos suzanenses pelo Casarão da Memória

30 JUL 2020 - 23h:59
Logo após a inauguração, à qual não pude participar, visitei o "Casarão da Memória" localizada na Rua Campos Salles e me deparei com o Museu da história da cidade. Fazia tempo, muitos anos, que o casarão de dois andares, com uma arquitetura colonial, estava fechado e quase abandonado. Várias vezes passei em frente, apenas olhando e observando. Não que tivesse algo de importante a oferecer, mas porque representava um marco histórico na vida da cidade de Suzano. De fora, o casarão parecia até um tanto românico e romântico. Estava sem vida por dentro e mesmo ficando em condições tão adversas, reinava ao redor dele uma certa paz.
Mas, por que olhar para ele? Indago a mim mesmo, enquanto, na minha imaginação, tentava encontrar uma solução para que fosse valorizado, prestigiando a sua importância histórica.
E aconteceu que a atual Administração, por iniciativa do Prefeito Rodrigo Ashiuchi e a participação das Secretarias da Cultura, do Planejamento Urbano e Habitação e dos Assuntos Estratégicos, iniciou a restauração do casarão, instalando o Museu da história da cidade. Foi assim, que finalmente caiu a ficha dos suzanenses, ao saber que a Avenida Antônio Marques Figueira, está ligada a um jovem que em 1876, aos 20 anos, deixou o Portugal e após uma longa navegação desembarcou no porto de Santos. No primeiro momento ficou em São Paulo e logo em seguida foi trabalhar na Estrada de Ferro, numa vilazinha, hoje, cidade de Suzano. Logo em seguida foi adquirindo as terras, se dedicando ao comércio de lenha, que vendia à ferrovia para abastecimento dos trens movidos a carvão, com o motor a vapor.
Figueira conheceu uma moça de Jacareí, Maria Emília de Siqueira, com quem se casou. Vieram morar na Vila da Concórdia, numa bela casa de dois andares construída por ele e hoje batizada com o nome de "Casarão da Memória". 
Já foi uma clínica médica, mas por pouco tempo. É o primeiro e mais antigo prédio de Suzano.
A vilazinha começou a receber outros moradores, atraídos pelo interesse em adquirir terras, extrair e vender a madeira que era o que mais tinha no lugar. Figueira era o grande líder e foi dele a iniciativa de construir a Capela de São Sebastião e fundar a Vila com um Decreto Federal e que passou a ser chamada: Vila da Concórdia” .
Hoje, o Casarão da Memória e o Museu da história de Suzano querem ser uma espécie do eco e da história do passado, com informações, objetos, documentos, memórias e lembranças que remetem a mais de 100 anos, com a chegada a Suzano dos primeiros imigrantes vindos da Europa, do Japão e também dos migrantes do Nordeste do Brasil. A imigração trouxe a Suzano muitas lideranças, organizando as pessoas, resolvendo problemas, lutando por uma causa maior do que eles mesmos, como a emancipação político administrativa da cidade.
Algo que os descendentes de imigrantes e migrantes poderiam fazer ao visitar o Museu, além da gratidão pela memória ali guardada para que nada se perca no tempo, seria pensar também em transferir objetos, quadros e utensílios antigos dos antepassados para o acervo. Coisas sobre as quais os visitantes teriam satisfação de ver. “Sabe padre, ainda tenho aquela carta que meu avô recebeu de Portugal ou da Itália ou do Japão. Não largo dela por nada”. No entanto, antes que se perca sugiro entregar a carta ou os objetos à Secretária da Cultura, obtendo em troca a certeza de que cartas e objetos ficarão carregados de memórias e emoções no Museu.