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Pedro Alves Benites

Contra a crise, emprego e renda

8 OUT 2020 - 05h:00
A mais recente pesquisa de desemprego feita pelo IBGE, divulgada na semana passada, trouxe números preocupantes. O Brasil bateu um recorde negativo e atingiu a triste marca de 13,8% da população sem trabalho. Em um ano, foram fechados mais de 11,5 milhões de vagas. A taxa de desemprego foi a pior desde que a pesquisa teve início, em 2012. Mas vale lembrar que esse cálculo é para as pessoas que já tiveram carteira assinada: quem não teve registro não faz parte dessa estatistica, o que pode fazer o número real ser muito maior. 
Como dirigente sindical e integrante da Diretoria da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, entendo que esses números são uma consequência direta das ações do Governo Federal nos últimos anos. Em 2017, o então presidente Michel Temer realizou uma reforma trabalhista que retirou direitos, com a argumentação que o desemprego cairia. Veio o governo Bolsonaro e as reformas se aprofundaram, sempre cortando direitos dos trabalhadores e incluindo uma reforma da Previdência que dificultou muito a aposentadoria dos brasileiros. A economia continuou fraca e o desemprego, elevado.
Mas fica a pergunta: como os brasileiros estão sobrevivendo? A mesma pesquisa mostra que o mercado informal não para de crescer. Os trabalhadores têm famílias, contas para pagar e precisam se alimentar. A solução acaba sendo abrir um pequeno negócio ou trabalhar fazendo entregas de fast-food, por exemplo. A maioria dessas pessoas não recolhe Fundo de Garantia, não contribui com a Previdência Social, não tem 13º salário nem férias. Caso sejam vítimas de acidentes de trabalho, ficarão desamparadas. Para onde vai uma economia assim?
Historicamente, os sindicatos sempre estiveram ao lado dos trabalhadores brasileiros. As principais conquistas vieram após muita luta e pressão. Sempre entendemos que, para a economia crescer e se manter aquecida, é necessário que os trabalhadores tenham capacidade de consumo. Quando as vendas se aquecem, o comércio vende mais e faz mais encomendas para a indústria, que contrata funcionários, criando um ciclo positivo de geração de empregos. O Brasil já teve períodos assim, que foram curtos, mas que mostraram que somente essa fórmula é capaz de fazer o país crescer.
As novas gerações também precisam ter acesso a empregos de qualidade, com carteira assinada, Fundo de Garantia e Previdência Social. Um país que empurra seus jovens para a informalidade não vai se desenvolver e progredir. Só teremos uma economia forte e sustentával quando a maioria da população puder trabalhar, consumir e se aposentar dignamente - continuando a movimentar o mercado com os recursos de suas aposentadorias. É uma pena que muitos economistas e diferentes governos federais sempre deixaram os trabalhadores e sua capacidade de compra em um segundo plano. Para os sindicatos, o melhor remédio para a crise sempre foi e sempre será o do emprego e da renda.