Logo de aniversário de 60 anos
(11) 4745-6900

Pedro Alves Benites

Vacinas para os trabalhadores

11 MAR 2021 - 05h:00
Estamos vivendo um momento muito delicado no Brasil. O Governo Federal expõe o país a situações vergonhosas pelo mundo afora. Enquanto países como Israel e o Reino Unido avançam na vacinação, no Brasil o planejamento equivocado faz com que faltem vacinas, atrasando a imunização de todas as faixas etárias. E nesse ponto os trabalhadores acabam sendo muito prejudicados, pois permanecem expostos ao Covid e não têm segurança para voltar a trabalhar.
O Governo Federal criou um beco sem saída, entrou nele e agora está perdido. Primeiro, defendeu que a economia não podia parar e estimulou as pessoas a não seguirem o isolamento social. Seguindo esse raciocínio, seria natural que agora o Ministério da Saúde investisse esforços e recursos para que o Brasil tivesse uma vacinação rápida e eficiente. Mas, ao contrário disso, o Governo não garantiu as vacinas para a população quando era necessário e o Brasil segue marcando passo, como a economia parada, a vacinação caminhando lentamente e a população com risco permanente de se contaminar.
A indústria é considerada um setor essencial para a economia, tanto que não parou durante toda a pandemia. As empresas sentiram os efeitos negativos, com muitos fechamentos e demissões. Nesse sentido, os Sindicatos tiveram e continuam exercendo um papel fundamental, negociando com as indústrias e propondo medidas para evitar cortes, como antecipação de férias e liberação de bancos de horas, para que os trabalhadores fiquem em casa e mantenham suas vagas.
Mas chega um momento em que é preciso tomar atitudes enérgicas. 
O cronograma de vacinação está correto ao priorizar as pessoas idosas, que estão mais expostas ao vírus. Mas é fundamental que sejam disponibilizadas mais vacinas, para que as etapas de imunização aconteçam rapidamente, avançando para as demais faixas etárias. No momento em que os trabalhadores e trabalhadoras que atuam no grosso da produção começarem a ser vacinados, as contaminações tendem a cair e a economia deverá melhorar, para alívio de todos.
As centrais sindicais brasileiras defendem um conjunto de medidas para tentar abrir os olhos do Governo Federal nessa encruzilhada que ele mesmo criou. Defendemos um plano nacional de vacinação para todos, estruturado a partir do SUS (Sistema Único de Saúde), integrado e articulado com todas as esferas públicas (munícipios, estados e governo federal) e o setor privado, em um esforço coordenado para as prioridades estabelecidas pelo setor de saúde, com apoio geral à ciência.
Além disso, também cobramos a implementação de medidas com o objetivo de gerar empregos para os milhões de brasileiros que estão parados e assim garantir renda para todos. É preciso a retomada imediata de milhares de obras paradas, recuperação imediata dos investimentos públicos e apoio a medidas de prefeituras e governos para gerar empregos com proteção social. Mas, para isso, é preciso vacinar a população brasileira.