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Larissa Ashiuchi

Agressão não é entretenimento

15 JUL 2021 - 05h:00

As imagens de Pamella Holanda sendo agredida pelo ex-marido Iverson de Souza Araújo, o DJ Ivis, tomaram as redes sociais e a televisão na última segunda-feira. Os vídeos gravados entre dezembro e julho vieram à tona no domingo e são a prova concreta da violência sofrida e denunciada pela cearense. As gravações causam repulsa e tristeza, especialmente a nós, mulheres.
Fato é: a violência contra a mulher está enraizada no país e precisa sempre ser debatida. A situação vivenciada por Pamella ilustra a realidade de milhares de mulheres brasileiras que, enquanto assistem à repercussão na TV, temem por sua própria segurança dentro de casa. 
O caso é chocante e caiu na opinião pública, mas não pode ser esquecido como tantos outros episódios de violência e feminicídio que acompanhamos na mídia. Quantas mais precisarão morrer?
Uma nota de repúdio não basta. Precisamos cobrar um posicionamento rígido das autoridades competentes à apuração do caso, que deve ser avaliado com toda isenção, rigor e rapidez que a situação merece. No Brasil, temos um arcabouço jurídico sofisticado com a Lei Federal nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha). A legislação, exclusivamente voltada à violência doméstica e familiar, completa 15 anos no mês que vem e nos mostra o quão necessária tem sido, mesmo depois de mais de uma década da promulgação!
São muitos os fatores que levam uma mulher a se manter em silêncio diante do ciclo da violência, entre eles, a esperança de que um dia o parceiro vá melhorar e principalmente a dependência financeira. Inclusive, essas duas situações foram citadas pela própria Pamella, vítima de DJ Ivis. Para enfrentar o medo instituído pela sociedade machista e virar o jogo, o empoderamento de nossas meninas é a saída. 
Por isso, em Suzano, batemos na tecla do empoderamento feminino. A partir do momento em que as garotas e mulheres, solteiras ou casadas, enxergam seu verdadeiro valor, muita coisa pode ser diferente. Essa não é uma jornada fácil, ainda temos muito o que desconstruir. E hoje o meu recado é para dizer que ninguém está sozinha. Você não precisa aguentar a violência, você não precisa se sujeitar à humilhação. 
A cidade apresenta uma rede de apoio completa, com equipamentos especialmente voltados ao acolhimento dessas vítimas, sendo um município modelo e referência no combate à violência doméstica. Busque ajuda, disque 180 ou 190. Dê o primeiro passo, pois estaremos aqui para estender a mão!