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Fernando Mancio

Ciclofaixa é disfarce

2 JUN 2022 - 05h:00


Maio se encerrou. O quinto mês do ano, além de ser considerado o "mês das noivas" e da "enfermagem", também é marcado por ações voltadas à conscientização no trânsito. O movimento "Maio Amarelo" nasceu com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o índice de mortes e feridos no trânsito e assim iniciar um debate sobre a necessidade de mais segurança e responsabilidade daqueles que estão ao volante e também de quem deve pensar na mobilidade de ruas, avenidas, estradas e rodovias. Por isso, não à toa, você deve ter visto inúmeras notícias de ações realizadas pelo poder público durante esse período. Algo do tipo, "prefeitura faz ação de conscientização no trânsito", ou "escola de trânsito faz ação com crianças", e também, "mobilidade e mais segurança é discutida com ciclistas". Mas será que existe uma vontade verdadeira de mudar o que hoje vivemos no trânsito das cidades da nossa região? Confesso que tenho as minhas dúvidas.
Não é de hoje, por exemplo, que o número de ciclistas pelas ruas tem aumentado. Houve, sim, uma explosão de pessoas que começaram a pedalar durante a pandemia. Mas antes disso já era possível ver muitos praticantes do ciclismo pelas ruas e estradas. Ou seja, isso não é algo recente. Mesmo assim, sempre que vejo o poder público debatendo o tema me passa a sensação que só existe uma solução para tornar o trânsito mais seguro para os ciclistas: as ciclofaixas ou ciclovias. É óbvio que elas são fundamentais, mas não se pode reduzir políticas de mobilidade a isso. Eu não vejo, por exemplo, nenhum município tentar entender e diferenciar o comportamento de quem usa a bicicleta como meio de transporte para aqueles que têm no ciclismo uma prática esportiva. E vale ressaltar que dentro de "prática esportiva" ainda existem diferenças, basta ver os tipos de bicicletas que temos. Isso é essencial para se compreender casos como o do missionário que foi atropelado e morto por um caminhão na Estrada das Varinhas, em Mogi das Cruzes, e de um outro homem que também foi atropelado e morto por outro caminhão em um trecho da via perimetral, também em Mogi das Cruzes. No primeiro caso, a vítima estava em um momento de lazer. No segundo, ao que indicam os fatos, o homem voltava para casa depois de um dia de trabalho. Caminhos diferentes, motivos diferentes. Por isso que não podemos resumir, ou disfarçar, mobilidade a novas ciclofaixas ou ciclovias.
Um debate que não vejo acontecer em Mogi das Cruzes é sobre o trânsito de carretas e caminhões em uma das partes mais valorizadas e com alta rotatividade de carros da cidade. Até quando a prefeitura vai permitir que esses veículos pesados transitem pelas ruas e avenidas do bairro Nova Mogilar? A região, que já tem um trânsito carregado por conta dos condomínios residenciais, shopping, faculdades, escolas e centros empresariais, ainda é obrigada a conviver com carretas de quase trinta metros de comprimento que transportam madeira, papel e recicláveis em pleno horário de tráfego intenso. Já passou do tempo de determinar novas rotas para esses veículos ou de estipular os períodos do dia em que eles possam trafegar por ali. Há anos a Capital já não permite caminhões e carretas nas marginais nos horários de pico. Há anos o D.E.R. também determinou que caminhões e carretas não podem descer a Serra do Mar em determinados dias e horários. Só que pensar em soluções verdadeiras dá muito trabalho, é mais fácil inaugurar ciclofaixa.