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Celso Salles

Vírus democrático

22 ABR 2020 - 23h:59
Um dia apareceu um vírus na China, uma gripe que ia ficar por lá.
Só que não, também conhecido como SQN.
A gripe ia ser tratada rapidamente; SQN. 
A gripe não ia matar ninguém;
SQN. 
A Gripe não ia pegar as elites;
SQN. 
Pensa numa praga que, pela primeira vez, começou o extermínio de cima pra baixo, preocupante para elites e simpática para classes humildes.
Num primeiro momento só atacou quem viajava de avião e de navios, quem vivia em convenções, jantares e ambientes com ar condicionado.
Logo observaram que nenhum morador de rua ou favelado foi atacado, "até ai nois do gueto tava tranquilo".
Porém, a elite começou ser atacada, morrer, o presidente do Banco Santander com toda sua fortuna morreu sem poder ter acesso aquilo que todo pobre tem, o ar, de nada valeu seu dinheiro sem oxigênio.
Quando os ricos ficaram vulneráveis pelo vírus democrático, inventaram o tal do confinamento, legal, ficar em casa sem trabalhar.
Ou seja, descobriram que quanto menos gente circulando mais eles estariam protegidos e simplesmente decretaram, ninguém mais sair de casa.
Só que, enquanto eles estavam em suas fazendas e casas com piscinas, tinha gente vivendo em barracos minúsculos e com a dispensa sem mantimentos.
Ai, apareceu alguém com uma varinha mágica que pagava no máximo R$ 280 reais no bolsa família para 10 milhões de miseráveis, descobriu que poderia dar R$ 600 reais para 60 milhões de pessoas...
Pergunta: se tinha esse dinheiro, por que milhões passam fome até hoje?
Agora distribuíram álcool em gel nas favelas, que não pode chamar de favelas, viraram comunidades, quando foram entregar, descobriram que os barracos não tem água e nem esgoto, bingo, nossa...
E agora como num reconhecimento de moradores extra terrestres, resolveram instalar pias nas favelas e torneiras para os moradores de rua.
A pergunta que não que calar, quem toma banho na pia ?
Sabe por que instalaram pias nas favelas ?
Porque a via mais próxima do pobre com o rico é o aperto de mão, é o pobre que vai fazer faxina na casa do rico, é o pobre que vai dirigir o carro, é o pobre que vai te levar na ambulância, é o pobre que vai lacrar o caixão, é o pobre que vai enterrar o rico;
É o vírus democrático.