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Suami Paula de Azevedo

E a República?...

20 NOV 2021 - 05h:00

Dia 15 de Novembro chegou. Passou. Se foi. Quem comemorou? O que a comemorar? Era aniversário da Proclamação da República.
Sinceramente? Não vi, nem soube, de gente comemorando no Brasil. Ou, por acaso, estou enganado? Você viu?
Vi, sim, umas bandeiras nacionais, republicanas, por aí pelas redes sociais.
Pois então, a nossa República, “com seus 132 anos”, parece que ainda não convenceu a todos. Lembraram dela nas escolas? O que ela nos trouxe?
Sei que indo lá atrás, no Latim, a expressão vem de “res publica”, a “coisa pública”, ou se preferir, “coisa do povo” (“res populi”), como preferia sintetizar um professor meu lá na minha Faculdade de Direito na década de 1960. Isso mesmo, seria algo que os antigos romanos reconheciam como pertencendo a todos, que não tem dono particular. Mas, será que isso foi um dia verdade?
Como aconteceu a nossa República?
Lembra de alguém ter explicado isso lá na escola? Bom, na verdade, a proclamação aconteceu como resultado de um Golpe de Estado, feito por militares, especificamente insatisfeitos com o Governo do Imperador Pedro II. Eles se sentiam especialmente prejudicados com o pós-Guerra do Paraguai. Basicamente, em particular o Tenente-Coronel Benjamin Constant, um professor da Escola Militar, o seu líder principal, um Positivista, uma interpretação, bem viva na época, que merece ser conhecida. Muitos dos comandantes militares, destaque-se o próprio Marechal Deodoro da Fonseca, era amigo de D. Pedro II, e apoiador da Monarquia. Foi levado a assumir a chefia do que nem defendia.
Os ricos proprietários continuaram apitando bastante na Economia. Mandavam bastante, mudaram um tanto as regiões de comando, do Vale do Paraíba tornaram-se “café com leite”, Minas Gerais e São Paulo. Eram a favor da escravidão, mas com a Lei Aurea, não foram indenizados, como pleiteavam.
Mas, e o povo? Onde andava?
Não houve participação popular nenhuma na Proclamação. Houve muita publicidade, muita publicação de republicanos pelos jornais. Havia muita promessa, de transformações fortes, profundas. Mas elas nunca chegaram. O fato é que não envolvia a população.
Logo depois, Deodoro se afasta do Governo e estaremos sob o comando do “Marechal de Ferro”, Floriano Peixoto, numa verdadeira, autêntica, Ditadura.
E daí? Os Presidentes Civis mudaram tudo isso? E o povo? Novamente, ou sempre, ficou olhando o que se passava. O povo pediu a volta da Monarquia, alguma vez?
Os historiadores erram ao repassar tantas interpretações?
Você, leitor, é que tem de saber. Se cansou de livros de historiadores, dê uma olhada em livros que relatam os tempos históricos como matéria jornalística. Um desses autores é o jornalista Laurentino Gomes.
Meu convite é mesmo para que leiam mais sobre o que vivemos. E viveremos mais adiante. A “res publica” um dia vai mesmo ser do povo? Nenhuma manobra política escamoteando as necessidades populares? As promessas de desenvolvimento serão estendidas a toda a população?