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Sueli Barão

A vida na graça

28 NOV 2021 - 05h:00


Como entender a graça de Deus? Ela sobrepuja qualquer merecimento que julgamos ter. Não se trata de mérito humano. Só vive pela graça quem se rende à suficiência da graça. Fomos justificados por Cristo pelas regras da graça. Pelas regras da lei estaríamos perdidos, pois ninguém consegue cumprir a lei a contento. A graça de Deus é tão grande e maravilhosa que nos constrange! Precisamos entender que foi pago um alto preço para que recebêssemos essa graça. Sendo assim, não podemos usá-la como artifício para pecarmos, ou para justificarmos práticas que não agradam a Deus. Foi a graça transformadora de Cristo que fez de Paulo, um homem ressentido, rancoroso, vaidoso, legalista, perverso, um filho da graça. A história do apóstolo Paulo demonstra que a nossa vida pode mudar se decidirmos viver pela graça de Deus. 
Quando o sofrimento nos atinge, e ninguém está livre nessa vida de sofrimentos, precisamos crer que a graça de Deus nos bastará para enfrentarmos essas dores. Nos momentos de dor sentimos como se o mundo fosse desabar sobre nós. Pode ser a perda de alguém a quem amamos. Alguém que parte para nunca mais voltar. Sofremos por uma ingratidão, por uma doença, por uma injustiça, por uma traição, por vermos nossos sonhos desabarem. Para tudo isso haverá remédio? Há. É a graça de Deus que, derramada sobre o sofrimento, vai cicatrizando as feridas. Cicatriz é o sinal de uma ferida, depois de curada. Deus regenerando aquela área que a dor lesionou. Deus restaurando o nosso coração machucado. Cicatriz é apenas recordação - a recordação de um mal que sofremos. É ferida que já não faz mais chorar. A marca está lá, mas não nos faz sofrer mais. 
Quais são os meios que Deus emprega para cicatrizar as lesões da alma? O tempo e a graça. O tempo encarrega-se de balsamizar o sofrimento: hoje dói muito; amanhã, dói menos. Hoje é o fim; amanhã, tudo pode começar de novo. O outro lenitivo de Deus é a Sua graça. Não há ferida que não vire cicatriz sob a ação da graça divina. O apóstolo Paulo tinha um "espinho na carne". Não sabemos se a ferida era no corpo, ou na alma. Ele orou para que o Senhor o livrasse desse sofrimento, e a resposta foi: "A Minha graça te basta". (II Coríntios 12:9) Deus daria forças para que Paulo pudesse conviver com aquela ferida, sem que esta afetasse definitivamente a sua vida. Ai de nós, se não fosse a graça de Deus! Ficaríamos prostrados, quando atingidos pelo sofrimento, sem jamais nos levantarmos. 
A história de Joni Eareckson é muito conhecida. Quando era jovem, gostava muito de nadar. Ela era também uma excelente mergulhadora e chegou a pensar em participar de uma competição olímpica. Certo dia, com dezessete anos, Joni e seus amigos foram nadar numa baía. Joni mergulhou naquelas águas desconhecidas, esperando sentir aquele friozinho de que ela tanto gostava. Em vez disso, ela acabou não sentindo nada. Quando a sua cabeça bateu no fundo, sua espinha dorsal quebrou, deixando-a paralítica do pescoço para baixo pelo resto de sua vida. Era o fim! Joni se sentia deprimida e com raiva ao pensar que teria de passar o resto de sua vida numa cadeira de rodas, dependendo da boa vontade dos outros. A maior parte de sua raiva era contra Deus: "Ó Deus, como você pôde fazer isso comigo? O que eu fiz para merecer isso?" Joni chorava e gritava. Sua família chegou a pensar que ela nunca superaria aquela tragédia. O tempo foi passando, e Joni começou a lutar. Embora Deus nunca a tenha curado fisicamente, Ele curou a alma de Joni. E, nos anos seguintes, ela permitiu que o seu espírito se tornasse bonito e livre. E quanto mais Deus agia na vida de Joni, mais progressos ela mostrava na recuperação. Com o passar do tempo, Joni se tornou cantora, compositora, escritora, artista plástica, palestrante internacional; conseguiu cuidar de si mesma sem depender tanto dos outros, aprendeu a dirigir o seu carro, adaptado especialmente para ela, e encontrou o amor de sua vida com quem se casou. Joni aprendeu a se entregar aos cuidados e à graça de Deus. Vivamos pela graça!