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Sueli Barão

Bom é Deus!

6 JUN 2021 - 05h:00


Pensamos que somos bons. Na verdade, muitas vezes nos consideramos, em um ou outro aspecto, melhores que os outros. Quando alguém erra, já pensamos que nós não cometeríamos tal erro. E iniciamos o julgamento! Quando advertimos alguém sobre o seu erro, e ele continua naquele caminho, vindo a se dar mal, dizemos ou pensamos - "Bem que avisei!" Por mais generosos e altruístas que sejamos, a nossa bondade é relativa. O moço rico parecia alguém muito bom. Não matava, não cometia adultério, não roubava, não tinha dado falso testemunho contra ninguém, honrava os pais e amava o próximo, conforme ele mesmo declarou a Jesus. (Mateus 19:16-26) Parecia perfeito em seus comportamentos e suas atitudes. Então, Jesus, como conhecedor do profundo do nosso ser, lhe fez uma proposta, que revelou onde estava o coração daquele rapaz - "Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, e dê o dinheiro aos pobres e, assim, você terá riquezas no céu. Depois venha e me siga. Quando o moço ouviu isso, foi embora triste, pois era muito rico". (vs. 21 e 22) Temos que observar que todo esse diálogo começou com uma pergunta do moço rico a Jesus - "Bom Mestre, o que devo fazer de bom para conseguir a vida eterna?" (v.16) No entendimento daquele rapaz, a vida eterna era obtida por boas obras. As boas obras acompanham aqueles que são salvos por Jesus, mas elas não servem para nos dar a salvação eterna. O moço rico usava a lógica da justiça, da lei, o que significava cumprir os mandamentos, fazer tudo "direitinho". Mas a salvação é pela graça, graça de Deus. A graça nos justifica, oferecendo o que não merecemos, pelos méritos de Cristo. Precisamos dessa graça e vivemos por ela. O moço rico tinha o coração preso às riquezas e aos próprios méritos. E Jesus sabia disso! Retirou-se triste, porque percebera que não era tão bom quanto imaginara! Não podia abdicar de suas riquezas, dar o dinheiro aos pobres, seguindo Jesus para um futuro economicamente incerto. 
O nosso coração pode estar preso, escravizado por muitas coisas, que nos impedem de seguir Jesus. Muitas vezes nos tornamos reféns de coisas e situações que consideramos boas, que nos dão certo prazer, mas que, na verdade, representam um caminho de perdição. Em Mateus 6:24, Jesus afirma que um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Não podemos servir a Deus e também servir ao dinheiro. Se o dinheiro é a coisa mais importante da nossa vida, não adianta dizer que não é, porque as nossas atitudes vão demonstrar a verdade. Não adianta dizer uma coisa e viver outra. O que Jesus fez foi desconstruir o discurso "equivocado" do moço rico. Aquele moço deveria definir qual era a coisa mais importante de sua vida. E, infelizmente, não era seguir Jesus! 
É triste, quando somos confrontados com as nossas fraquezas, mas não somos capazes de nos render ao que realmente importa. O moço rico foi embora triste! Fizera uma escolha - ficar com todas as suas riquezas. Talvez pudesse ter agido como o publicano, da parábola contada por Jesus em Lucas 18:9-14, que no templo, de longe, não ousava levantar o rosto para o céu. Simplesmente, batia no peito e dizia: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador". Ele voltou para casa justificado, enquanto o fariseu, que não se considerava avarento, nem desonesto, nem imoral, que jejuava duas vezes por semana e dava o dízimo de tudo o que ganhava, que era tão "perfeito", não teve a sua oração aceita por Deus. Somos imperfeitos. Não somos bons o suficiente! Crescemos quanto mais dependemos da ajuda de Deus para agirmos com bondade e misericórdia. Crescemos quando reconhecemos as nossas fraquezas e fragilidades. Só podemos superar os problemas que reconhecemos. Precisamos saber que podemos estar errados sobre nós mesmos, e que não somos tão bons quanto imaginamos. Bom é Deus!