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Sueli Barão

Na caverna

26 SET 2021 - 05h:00


"Caverna", em geral, é uma cavidade subterrânea formada em rochas; lugar escuro, profundo e difícil de ficar por muito tempo; diríamos, um lugar inóspito. Embora saibamos que os nossos ancestrais viveram em cavernas, hoje em dia, essa, certamente, não seria a escolha da maioria de nós. Por que comecei o artigo de hoje falando sobre cavernas? Estamos chegando ao final do mês de setembro, e este mês, desde 2015, é dedicado à campanha - "Setembro Amarelo", que trabalha a prevenção ao suicídio. No Brasil, foram registrados quase 13 mil suicídios em 2020, e quase um milhão no mundo. Segundo a OMS, é a segunda causa de morte na faixa etária de 15 a 29 anos. Conforme dizem os especialistas, a maioria dos casos de suicídio está relacionada a transtornos mentais, como a depressão, o transtorno bipolar, o abuso de substâncias químicas, entre outras causas. Então, aqui nesse espaço pretendo, modestamente, com base no que tenho ouvido, lido, vivenciado, falar um pouco sobre esse relevante tema, que deve nos tocar profundamente, enquanto seres humanos. É importante falar sobre esse assunto nas escolas, nas igrejas, nas famílias, nas nossas comunidades. 
Sim, grandes homens de Deus, líderes, podem passar por uma depressão, ou qualquer outro transtorno mental, que pode levá-los a sentir vontade de morrer. Por mais fé que tenham! Na verdade, qualquer um de nós pode passar por isso! É difícil para um líder religioso e, acredito, para a maioria das pessoas expor essa realidade, por temer o julgamento da sua família, da comunidade de fé, das pessoas de forma geral. O grande Spurgeon, no século XIX, admitiu passar por uma "tristeza avassaladora", em um tempo que pouco se sabia ou se falava sobre depressão. Vamos pensar um pouco sobre o grande profeta, Elias. Depois de enfrentar e vencer os profetas de Baal, Elias ficou com medo das ameaças de Jezabel, a rainha, esposa de Acabe. Para ele essas ameaças foram estressantes demais, desencadeando um processo depressivo. A sua autoestima estava baixa. Ele mesmo estava se definindo como um fracassado tal qual os seus antepassados. No início dessa depressão, Elias buscou refúgio no deserto, caminhando sem direção. Depois, desistiu de viver e pediu a morte, sentando-se em um lugar, onde dificilmente o encontrariam. E, por fim, ele se afundou numa caverna, com total falta de perspectiva. "Elias ficou com medo e, para salvar a vida, fugiu com o seu ajudante para a cidade de Berseba, que ficava na região de Judá. Deixou ali o seu ajudante e foi para o deserto, andando um dia inteiro. Aí parou, sentou-se na sombra de uma árvore e teve vontade de morrer. Então orou assim: Já chega, ó Senhor Deus! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como foram os meus antepassados". (I Reis 19:3-4) 
Cansado, estressado, desesperançado, Elias se deitou debaixo de uma árvore e caiu no sono. Então, Deus mandou que um anjo fosse até ele. O anjo lhe disse: "Levante-se e coma". Em volta de Elias havia um pão assado nas pedras e uma jarra de água. Poderíamos nos deter aqui falando sobre muitas coisas. Todavia, vou me deter no que me chama mais a atenção. Deus sempre coloca "anjos" no nosso caminho, quando precisamos de ajuda. Esses "anjos" não nos julgam, não nos rejeitam, não dão lição de moral; mas sim nos apresentam uma nova perspectiva de vida e nos encaminham de volta para o nosso propósito. Pode ser alguém da família, um amigo que, de fato, se importa, um psicólogo, psiquiatra, um pastor; enfim, alguém que nos ajude, quando mais precisamos. O anjo teve que tocar em Elias e falar com ele novamente: "Levante-se e coma; caso contrário, você não aguentará a viagem". Elias se levantou, comeu e bebeu, e a comida lhe deu forças para andar quarenta dias até o Sinai. Ali, ele entrou em uma caverna, onde o Senhor Deus lhe perguntou: "O que você está fazendo aqui, Elias?" Acredito que Elias pretendesse ficar na caverna, escondidinho, olhando para a escuridão, sem vontade de viver. Mas não foi isso o que Deus planejou para Elias nem para nós. Aquele não era o lugar de Elias. Deus, assim, o chama para enfrentar a realidade, por mais dura que parecesse! Elias precisava resistir, lutar, continuar a sua jornada, cumprir a sua missão. E, nesse trajeto, Deus levantou Eliseu para ajudá-lo. Acredito que a igreja de Cristo precisa ser uma comunidade terapêutica, na qual podemos ser tratados e curados pelo amor. O amor cura! O amor de Deus, e o nosso amor uns pelos outros! Deveríamos ter mais facilidade para confessar as nossas dificuldades e os nossos pecados uns aos outros, orando uns pelos outros, para que sejamos curados, conforme o ensinamento de Tiago 5:16. No entanto, isso ainda é um desafio! Podemos, sim, ajudar as pessoas que se encontram em sofrimento - mental, emocional, espiritual, físico, seja ouvindo, acolhendo, orando, amando as pessoas como Jesus nos ama em todos os momentos! (Sueli Barão Rocha de Souza, evangélica, professora, escreve aos domingos.)