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Sueli Barão

Os processos

31 JUL 2022 - 05h:00

Este é um tempo de celeridade! Esperar se transformou em algo doloroso! Houve um tempo, e as pessoas da minha geração viveram isso, em que a coisa que a gente sabia fazer bem era esperar, mesmo a contragosto! Dizem que o imediatismo está em nosso DNA! A gente tinha que esperar para falar, esperar que os adultos fossem servidos para depois sermos servidos nas refeições, esperar em outro cômodo da casa, enquanto os mais velhos conversavam, esperar o aniversário ou o Natal chegar para ganhar uma roupa, um sapato e, se desse, um brinquedo novo; esperar a permissão da professora para expor uma opinião em sala de aula; enfim, esperar sempre. É fato que naquela época tudo girava em função dos interesses dos adultos! E, naquele tempo, o mundo caminhava mais devagar. Não tínhamos os avanços tecnológicos que temos hoje. As gerações de hoje não sabem esperar porque não aprenderam a esperar! Tudo tem que ser rápido, imediato. Se tiver que passar por processos já não serve mais. Cada vez mais vemos crianças, adolescentes, jovens, adultos, que são intolerantes, e até agem com hostilidade, quando são submetidos a situações da vida cotidiana em que precisam simplesmente esperar. Para eles é como se esse verbo não existisse! Nós, enquanto cristãos, muitas vezes agimos assim, de forma imatura, querendo que Deus satisfaça as nossas necessidades o mais rápido possível. Como Pai de Amor Ele tem prazer em atender a seus filhos. Todavia, Ele não se agrada de filhos mimados, que não aprenderam a esperar; por isso, fazem birra quando Deus não lhes dá o que querem. Oramos, quase sempre para pedir, como se a oração tivesse apenas essa função, e queremos logo a resposta. Se achamos que Deus está demorando com a resposta, ficamos desanimados e pensamos que Deus não está se importando conosco! Não queremos passar por nenhum processo, não queremos esperar! A tendência humana diante dos processos da vida é reclamar, esbravejar. Para crescermos precisamos passar pelos processos com paciência e resiliência. Pensemos em alguém que luta contra uma doença, passando por um processo longo e doloroso de tratamento, esperando a cura. Quanta paciência é preciso! Pensemos em alguém que deseja se especializar em um assunto ou uma profissão. Quanto terá que ler, estudar, praticar, até que esteja preparado! Precisamos compreender, a despeito de todo o nosso imediatismo, que Deus tem o seu tempo perfeito para todas as coisas. Não adianta descartar os processos, tão pouco querer acelerá-los. Enquanto esperamos, Deus está trabalhando em nós, desenvolvendo a paciência, a fé, a humildade, a perseverança; também, está trabalhando nas circunstâncias a fim de que, no devido tempo, tudo esteja alinhado. Imaginemos como José do Egito pôde passar pelo processo longo de sofrimento desde o momento em que foi vendido como escravo pelos seus irmãos até a sua constituição como governador do Egito. Ele precisou resistir aos anos de abandono, solidão, rejeição e sensação de fracasso. A Bíblia não traz muitos detalhes sobre isso. Ao lermos a história de José temos a impressão de que ele conseguia superar qualquer tristeza e decepção. Mas, certamente, ele teve esses sentimentos! A superação não anula a realidade do sofrimento. Mesmo sofrendo, José precisou enxergar o plano de Deus onde se encontrava, embora os acontecimentos não fizessem sentido muitas vezes. Creio que ele precisasse dizer todos os dias para si mesmo - "Deus está comigo. Ele está cuidando de mim, não me abandonou. No tempo certo, Deus vai intervir e mudar a minha sorte". Uma atitude positiva de fé e gratidão fará maravilhas, quando estivermos passando por processos difíceis. Sabemos que José não merecia estar numa prisão. Ele foi injustiçado. Mas Deus transformou todos os processos dolorosos da vida de José em bênção. Depois daqueles anos na prisão, José foi grandemente honrado em todos os sentidos. Esperar, passar pelos processos, é um desafio para todos nós. Mas será mais fácil, se confiarmos no que está escrito no Salmo 40:1 - "Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor".