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Luta contra a violência à mulher

12 OUT 2021 - 05h:00

Reportagem publicada pela Agência Brasil mostra que o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher foi lembrado no domingo e, mesmo após 40 anos de sua criação, continua dando visibilidade a uma grave faceta da desigualdade de gênero. A data foi instituída após uma mobilização feita em São Paulo por mulheres que ocuparam as escadarias do Theatro Municipal para defender seus direitos.
Ao longo dos anos, as políticas de proteção à mulher e combate à violência avançaram. Mas, ainda é preciso reforçar as ações. Todos os dias são registrados casos de violência. Eles se repetem em diversas cidades do País.
De acordo com a entrevista concedida à Agência Brasil, a socióloga Marlise Matos, uma das principais especialistas do País no assunto, pontuou que as lutas pela igualdade de gênero são históricas e que o patriarcado é uma das primeiras formas de opressão da humanidade. Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela explica que o conceito de gênero surge assim designado nos anos 1980, mas que já se faziam alusões a ele antes disso, utilizando-se outros nomes.
Só para se ter uma ideia, a mais recente edição do relatório “Violência Doméstica Durante Pandemia de Covid-19”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), analisou dados de março a maio desde ano e constatou que, com o isolamento adotado em várias unidades da Federação, houve “uma redução em uma série de crimes contra as mulheres em diversos estados – indicativo de que as mulheres estão encontrando mais dificuldades em denunciar a(s) violência(s) sofridas neste período.” A única exceção foi nos crimes letais.
O relatório do Fórum também indica que, no período avaliado, houve uma redução na “distribuição e na concessão de medidas protetivas de urgência, instrumento fundamental para a proteção da mulher em situação de violência doméstica.”
Com a pandemia e o isolamento veio a necessidade de entes públicos reverem estratégias para a coibição da violência contra mulheres.
Muitas vezes, os agressores estão dentro das residências e deixam as mulheres em situação, cada vez mais, vulnerável.
Uma das iniciativas, lançada em junho, é a campanha Sinal Vermelho, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). O objetivo é incentivar as vítimas a fazer denúncias em farmácias.
Em solo paulista, o projeto tem tido boa adesão, segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia, Marcos Machado, que o vê com bons olhos. Ele disse que, ao mesmo tempo em que sensibiliza os funcionários das lojas para o problema, estimula as vítimas a pedir socorro, já que se abre espaço para que sejam acolhidas sem tanta formalidade. 
É importante que as ações sejam reforçadas e que esta data, de 10 de outubro, seja lembrada para que, cada vez mais, os casos de violência possam ser reduzidos.

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